sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Coelhinha do Walrus (Jan/10): Charuteiras anônimas!

Aos que resistem ainda passando por aqui, antes de tudo, obrigado pela preferência! Vocês devem ter notado que não tem havido muitas atualizações no blog: de fato, janeiro foi um mês complicado, mas fiquem tranquilos que a habitualidade voltará.

Para iniciar o ano, não escolhi nenhuma coelha: a homenagem do mês é para as anônimas que apreciam ou, ao menos, ficam bem 'na foto' com um charuto na boca:







P.S.: A última foto não tem charuto - e sim cigarro (já é um quase!) - nem a modelo é desconhecida. Mas, caramba, nós precisávamos de uma desculpa para incluir uma foto da Julie Delpy, certo?

'Ex-padrasto de Jesus Luz promete lançar biografia contando história do namorado de Madonna'

"- Apesar de estar separado de Cristiane (mãe de Jesus), ainda me considero padrasto dele - afirma Mattos, de 38 anos, citando o segundo parágrafo do artigo 1595 do Código Civil - Perante a lei, a afinidade não se extingue com o fim do casamento. Temos uma ligação legal e moral."
(...)
"Jesus sabe que foi pivô da minha separação da mãe dele, aquela vida de 'playboy' que ele levava desgastou nossa relação - contou, referindo-se à Cristiane como o amor de sua vida".
(...)
"Jesus falou que ele chegou ao auge e eu não. Eu sou um artista, não toco pelo dinheiro e sim pela música, nunca vendi meu caráter"
Absolutamente imperdível.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010




terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Feliz ano novo!

Nos edificantes finais dos filmes de Frank Capra e de Woody Allen (só para citar dois grande diretores), geralmente, depois de muito bater a cabeça na parede, os personagens aprendem que, mesmo que a nossa existência seja curta e sem sentido, ainda assim amar é sempre a melhor saída. Pode não ser a ideal: mas é que nos acalma e nos move.

Vinicius de Moraes, já em final de vida, se saiu com estes versos: “Depois da chegada vem sempre a partida, Porque não há nada sem separação. Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão. Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão” e (...) “De nada adianta ficar-se de fora. A hora do sim é o descuido do não. Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão”
(isso: tá na novela).

Pois passada a neurodata natalina, o dezembro dos presentes obrigatórios e da Árvore da Lagoa, chegamos ao finalzinho do nosso filminho particular anual. É a hora do balanço. Espero que quem tenha passado por aqui, neste 2009, tenha tido um saldo positivo, ou ao menos saia com esperança de que vai melhorar. Porque, vocês já sabem, a vida tem sempre razão!

Feliz 2010 e até breve!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Pensamento do dia

Sexo é como vestibular, não importa a posição, o importante é entrar.

Coelhinha do Walrus (Dez/09): Diana Krall

Diferente da Rede TV, do funk e de outras baixarias - com o perdão dos intelequituais, antropologos e sociologos de plantão - este blog prima pela classe. Óbvio que isso se aplica também às mulheres que passam da área. Diana Krall, cantora e pianista canadense, 45 anos, 2 filhos e casada com o músico e compositor Elvis Costello, pode até não ter um corpão ou a excelência da mulher brasileir; agora, classe e charme... é com ela mesmo! Tocando piano então é covardia. Ho, ho, ho, para Diana e feliz natal para todos:










Manoel Joaquim

(i) Manoel Joaquim dos Santos, nascido em Trás-dos-Montes, no extremo bem extremo Leste de Portugal, ganhou seu primeiro lápis de colocar na orelha, quando tinha 2 anos.
Aos 15 anos, já no primário, ganhou sua primeira caneta-tinteiro de orelha.
Aos 32 anos, descobriu que caneta também servia para escrever.
Hoje, já informatizado, está com orelha de abano, por causa do peso do mouse...

(ii) Manoel entra em um bar, abraçado a duas mulheronas maravilhosas.Aproxima-se do balcão e pede ao garçom: - Uma coca-cola, por favor. O garçom pergunta ao Manoel: - Família ?Ao que ele responde:- Não, são putas mesmo... mas estão morrendo de sede.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Cães

Umas fotinhas extras do Chile, desta vez de alguns dos seus moradores de rua:














Sugestão de presente de natal para... a sua sogra!

Podem confiar: os duetos do disquinho acima são bizarros e será uma ótima oportunidade de marcar pontos negativos com a endemoninada! Nada combina, tudo no disco é kistch. Abaixo, os duetos, faixa-a-faixa:

1. I Hate You Then I Love You - Participação Especial: Celine Dion
O saudoso Vavá já começa se queimando ao convidar a quebradora-de-cristais Celine Dion para fazer uma interpretação a la Roberta Miranda desta linda canção do... do... sei lá quem compôs esta coisa, mas bem que poderia ter sido o Zezé de Camargo e Luciano. Reminiscências do Titanic poderão rolar, durante a audição. Imagens da Magrela berrando de um lado, com o Pavarotti bufando, sem ar, e desequilibrado do outro, enquanto o Leonardo de Caprio se equilibra no último pedacinho de madeira, antes do encontro eterno com o fundo do mar... Eu mergulharia antes, para não ter que escutar a faixa até o final!

2. O Sole Mio - Participação Especial: Bryan Adams
Bryan Adams, se superou. O mix de Rod Stewart (antes da dengue), com Tiririca fazendo voz sex do Paulo Ricardo sepulta de vez o clássico kisch italiano.

3. Let It Rain - Participação Especial: Jon Bon Jovi
Se existe imagem desta gravação eu quero ver. Há de ser impagável: o solinho de rock farofa, o Bon Jove jogando os cabelinhos para trás e... o Pavarotti berrando por trás (com trocadilho, por favor).

4. There Must Be an Angel - Participação Especial: Eurythmics

Pavarotti atacando na dance music gótica dos anos 80.... Show de bola.

5. My Way - Participação Especial: Frank Sinatra
Nem essa se salvou. O arranjo é mais brega que o original; Frank Sinatra já não cantava tão bem no final da vida e... o inglês do Pavarotti É ENGRAÇADO PRA CACETE!!!! Para quem não sabe, a música foi eleita o hit nº 1 nos enterros na Inglaterra (sério, não é piada). Mas essa versão... Eu diria que é mais "mortal".


6. Live Like Horses - Participação Especial: Elton John
Alô, Almodovar, essa é a sua cara!

7. Hero - Participação Especial: Mariah Carey

Sem que seja preciso ouvir, apenas fechem os olhos e imagem o dueto...Tudo combina, não?

8. Miss Sarajevo - Participação Especial: The Passengers

Por mais estranho que pareça, esta se salva.

9. Holy Mother - Participação Especial: Eric Clapton
Esta quase se salvaria, se a música não fosse chatíssima.

10. Panis Angelicus - Participação Especial: Sting
Sting, com a chatisse de sempre talvez vai colocar a megera para dormir. Talvez exista alguma utilidade no cara da 'Roxanne'...

11. Miserere – c/ Zucchero e 12. Notte e Piscatore – c/ Andrea Bocelli
Normais.

13. The Magic of Love - Participação Especial: Lionel Richie
Não ouvi. Vocês também não esperavam que eu chegasse até a última faixa do disco, né?

Dezembro

O texto a seguir foi retirado do blog Histórias Brasileiras (http://hisbrasileiras.blogspot.com/), um dos mais bem escritos e engraçados da net. Há tempos o endereço figura no “Eu Recomendo”, aqui deste espaço. Espero que gostem:

Delenda dezembro


Dezembro é um mês chato pra burro. Tenho umas mil e duzentas razões para querer despachar o mês feito um ebó na encruza. Dezembro é urucubaca na veia. Faço uma breve lista:

1- Toda família que se preza tem pelo menos uma tia que, no auge da festa de Natal, cai em prantos, anuncia que morrerá em breve e estraga a ceia. A frase é um clássico: Eu quero dizer pra vocês que esse é meu último Natal; ano que vem eu não estou mais aqui ... No ano seguinte lá está ela, vivinha da silva, anunciando a morte próxima.

2- Já caí na besteira de ser apresentado aos familiares da namorada numa noite natalina. Durante a ceia meti na boca um pedaço de bacalhau cheio de espinhas. Imaginei três alternativas: Comer o bacalhau e morrer engasgado; simular uma queda de pressão, cair debaixo da mesa e cuspir o pedaço; pegar o guardanapo de linho finíssimo - que só é usado uma vez por ano -, cuspir candidamente o bacalhau e colocar o pedaço mastigado ao lado do prato. Escolhi a terceira opção, causei horror aos comensais e percebi que era melhor ter ido à Missa do Galo.

3- A primeira música de Natal que aprendi foi Boas Festas, do Assis Valente. Linda. É aquela do eu pensei que todo mundo fosse filho do Papai Noel. A conclusão é a de que ou o Papai Noel morreu ou a felicidade é um brinquedo que não tem. Animador, de qualquer modo.

4- Dezembro é o mês em que aqui no Rio de Janeiro um banco faz propaganda montando uma árvore de Natal iluminada no meio da Lagoa Rodrigo de Freitas. Motoristas românticos reduzem a velocidade dos carros e chegam a parar no meio da rua para ver o balde colorido de cabeça pra baixo flutuando. O trânsito entra em colapso, com efeitos sentidos até em Duque de Caxias. O jogo de luzes da tal árvore é parecido com o letreiro luminoso do Motel Palácio do Rei, na Tijuca.

5- O futebol para em Dezembro. Não há campeonatos no Brasil. As tardes de domingo sem uma partidinha pra justificar a cerveja são tão emocionantes quanto uma corrida de cágados sob efeito de Lexotan.

6- Os adultos realmente acham que as crianças gostam de tirar fotos com Papai Noel. Os moleques abrem o berreiro, os pais insistem, o Papai Noel tá doido pra enfiar a porrada no capeta mas tem que manter a pose para garantir os caraminguás da santa ceia. Dezembro é o mês em que acho, como diria o poetinha, Herodes natural.

7- Acabaram com a festa de Iemanjá que marcou durante décadas a virada do ano no Rio. As praias não tem mais terreiros na noite do dia 31. Periga o sujeito querer bater cabeça pra rainha do mar e acabar se deparando com um show do Lulu Santos com participação especial da bateria da Grande Rio e de algum dj moderninho e antenado com o cenário musical inglês. Eu quero de novo macumba na areia, com direito a Praianinha, charuto Índio, perfume de alfazema, leite de rosas pra mamãe sereia, cidra de macieira e barquinho comprado no Mercadão de Madureira.

8- Em dezembro os casais se sentem mais a vontade para trocar juras de amor em público; geralmente com vozes infantis de erês de umbanda. Dá vontade de chegar junto e cantar pra criança subir o andorinha que vôa, vôa, manda as crianças pro céu.

9 - Não dá pra ir com tranquilidade a restaurantes em dezembro. O perigo é encontrar uma festa de encerramento de ano do pessoal de alguma empresa ou repartição. Em meia hora os bêbados amadores - os bêbados de dezembro - chamam urubu de meu louro e começam a gritar. A funcionária padrão, que passou o ano todo tímida, solta a franga, enche a cara e ameaça fazer striptease pro chefe do almoxarifado. No ápice do fuzuê, alguém diz que vai começar o amigo oculto. Não satisfeitos com a troca de presentes em público, os participantes ficam - aos berros - dando palpites sobre quem fulaninho tirou.

10- Dezembro é o mês em que TODAS as lojas do mundo colocam o cd que a Simone gravou com músicas natalinas [que reputo como um dos piores momentos do cancioneiro popular mundial] . O destaque é Então é Natal , a versão em português de uma música do John Lennon mais desagradável que tratamento de canal no dentista e mais melosa que pudim de guaraná Jesus. Eu até hoje só cogitei dar cabo à vida comendo Neocid [ e pretendia revelar isso apenas depois de morto, a um médium de mesa branca] em dois momentos: Quando o Brasil perdeu o jogo para a Itália na Copa de 1982 e quando ouvi pela quinta vez seguida Então é Natal numa fila das Lojas Americanas. Vejam abaixo os que forem corajosos e concordem comigo: Janeiro já!



Chile: breve panorama político

Estive no Chile recentemente, como se presume pelas fotos postadas dias atrás. Não é de agora, porém, que me interesso pela política chilena.

Sabemos que as nações latino-americanas, desde os movimentos independentistas têm como característica principal a instabilidade; ou o pouco apego à democracia.

Não conheço os termos da libertação do Chile, mas a Guerra do Pacífico, na segunda metade do século XIX, criou rusgas contra os derrotados Bolívia e Peru que até hoje perduram. Nas semanas em que estive por lá, por exemplo, foi preso no Peru um de seus diplomatas, sob a acusação de espionagem a favor do Chile...

Com a vitória chilena na Guerra do Pacífico seu território aumentou expressivamente, passando a se estender até o rico Deserto do Atacama (que transformou o país no maior fornecedor mundial de cobre) e que até então pertencia, em parte, ao Peru e à Bolívia.

Ao final da Guerra estava delimitado o território nacional com as suas famosas quatro fronteiras naturais. Ao oriente a Cordilheira dos Andes ('muro natural' contra os argentinos), ao ocidente o Pacífico, ao norte o deserto e ao sul a Patagônia.

Assim, e após séculos de tentativas de “pacificação” dos Mapuchos (os índios locais que viviam na parte sul do país), o Chile começava a desfrutar de um raro período de democracia (ainda que precária, mas com alternância de poder e razoável respeito aos direito civis e sociais).

Tudo mudou no final dos anos 60, quando as chances de um governo de esquerda se tornava uma realidade. A polarização política começaria antes mesmo da (inadiável) vitória do médico socialista Salvador Allende. Eleito presidente em 1970, depois de 3 tentativas anteriores, Allende chegou ao poder amparado pela multifacetada e, em grande parte, radical esquerda do país.

No contexto de Guerra Fria, o golpismo começou antes mesmo da posse do presidente eleito. Há livros e mais livros sobre o tema, inclusive autobiografias e depoimentos de ex-agentes da CIA que relatam que expressivas somas de dinheiro foram entregues à direita chilena a fim de fomentar o golpe.

Apesar de assassinatos (inclusive de um militar de alta patente, vinculado a Allende), houve a posse e o início do governo que prometia ao povo uma revolução a la chilena (com democracia).

Ciente de que a polarização seria inevitável, Allende trouxe o então superstar socialista – e seu amigo pessoal – Fidel Castro para a posse. A visita, que durou semanas e percorreu o país deixou a direita e a cúpula do ‘El Mercúrio’ (até hoje o maior jornal chileno) em desespero.
Fazendo uso de greves, incitações visando à rebelião e a quebra da ordem institucional, as forças reacionárias (aditivadas pelo dinheiro de Washington) tentaram de tudo para que o povo se voltasse contra o governo constitucionalmente eleito. Fracassaram.

Não apenas fracassaram como, nas eleições parlamentares de 1972, a Unidade Popular (a coalizão de esquerda) conseguiu maioria, apesar do colapso econômico e da crise institucional criada pelos setores mais conservadores da sociedade.


Não faltava mais nada, senão o golpe militar, tão em voga à época. Eis que, em 11 de setembro de 1973, o capo Augusto Pinochet, então recém nomeado Comandante Geral das Forças Armadas por Allende liderava o levante militar.

Apesar de haver um setor leal nas forças armadas, assim como ocorreu com João Goulart no Brasil, o presidente Allende acabaria não incitando seus seguidores à guerra civil por temer um massacre. O golpe foi rápido, preciso e incluiu o bombardeio aéreo do palácio governamental, o La Moneda, localizado no centro de Santiago.

No palácio, após a rendição dos últimos carabineros (policiais da leal guarda pessoal do presidente), devotos e familiares de Allende, o presidente se matou, com um tiro na cabeça.

Começava a ditadura mais assassina que a América Latina já conheceu (até o governo Nixon se voltou contra Pinochet, depois de alguns anos...) e que só retornaria a experimentar a democracia em 1989, mediante inúmeras concessões aos golpistas (criação de senadores biônicos, entre outras).

De lá pra cá, só foram eleitos governantes socialistas moderados que lograram dar ao Chile não apenas estabilidade política, manutenção do pacto social, mas também o maior crescimento econômico do continente. Na última segunda-feira, dia 13 dezembro, novas eleições presidenciais ocorreram: Sebastián Piñera (direita) e Eduardo Frei (esquerda) irão ao segundo turno. Independente de quem vença, a expectativa de todos é a de que os bons ventos da paz, democracia e prosperidade continuem soprando a favor do Chile.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Nina Simone - I get along without very well

video

Caramba, consegui! Finalmente descobri como baixar videos do youtube, gravar e disponibiliza-los aqui! Começo com um filminho caseiro que achei no youtube. Lembra-me da melancolia que dá o tom dos filmes "Antes do Amanhecer" e "Antes do Por do Sol", clássicos do cult. Prestem também atenção na interpretação da Nina Simone: parecerá que ela está cantando na sua sala...

Ah, uma última observação: a música demora uns 20 segundos para começar, não desistam! Aumentem o som e cantem junto:

I Get Along Without You Very Well

I get along without you very well
Of course I do
Except when soft rains fall
And drip from leaves, then I recall
The thrill of being sheltered in your arms
Of course, I do
But I get along without you very well

I've forgotten you just like I should
Of course I have
Except to hear your name
Or someone's laugh that is the same
But I've forgotten you just like I should

What a guy, what a fool am I
To think my breaking heart could kid the moon
What's in store? Should I phone once more?
No, it's best that I stick to my tune

I get along without you very well
Of course I do
Except perhaps in spring
But I should never think of spring
For that would surely break my heart in two

Amor: variações sobre o mesmo tema

É difícil falar de amor.

A linguagem dos casais apaixonados é patética, para quem os escuta de fora. Cedo ou tarde, os códigos internos dos apaixonados se tornarão patéticos também para os próprios: basta que o amor chegue ao fim.

Cartas, e-mails, apelidos carinhosos; não tem erro: revise os seus e se lembre de como você também já foi tosco(a)!

Roland Barthes, filósofo, ensaísta e lingüista francês tem uma obra famosa que se presta justamente a tentar desvendar a dificuldade que há entre a linguagem dos apaixonados (falada e escrita) e os sentimentos pertinentes ao amor.

Sim, estou sendo um pouco abstrato, mas a premissa é mais ou menos a seguinte: na hora de verbalizar o ciúme, as taras na cama, a paixão avassaladora, etc, a mensagem acaba se perdendo na linguagem que, via de regra, tende a objetividade . Daí a “dificuldade” dos casais se entenderem quando discutem a relação (as famosas drs...); de dizer o quanto se ama alguém no “olho no olho” (o peito talvez saiba, mas a boca não tem coragem); dentre outras.

Constatado o óbvio (que expressar sentimentos não é algo fácil) mudo o rumo da prosa em 180 graus: a música (cantada ou não) tem uma capacidade incrível de acesso e conexão aos sentimentos mais nobres. Talvez isso ajude a explicar um pouco a sua fácil disseminação. Assim, por exemplo, letras “bregas” podem tomar uma dimensão maior do que aquilo que efetivamente constou na cabeça do compositor... O que vale é chegar ao coração, o que não é pouco!

Para fechar o texto, deixo-os com um soneto do Vinicius de Moraes que é, antes de qualquer outra coisa, um tapa na cara de tudo que o Roland Barthes disse até aqui (e eu plagiei): há quem saiba FALAR e DESCREVER o amor... O Poetinha certamente sabia, ainda que domá-lo não lhe fosse tão fácil...

Neste Soneto do Maior Amor, as contradições, egoísmos, desventuras e impaciências do amor estão todas muitíssimo bem descritas. Divirtam-se!

Soneto do Maior Amor

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

P.S.: Quem quiser mais sobre o mesmo, estes temas já foram tratados aqui:
*
http://walrusnosamba.blogspot.com/2008/08/fragmentos-de-um-discurso-amoroso-1977.html
*
http://walrusnosamba.blogspot.com/2009/06/eu-te-amo.html
P.S.2.: Na foto lá de cima a atriz Camila Morgado. No filme/documentário "Vinicius", ela fez um lindo trabalho recitando poemas e sonetos do compositor.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009